Você pede, está feito

Seletividade alimentar em cães e gatos: como separar preferência, manejo e doença

Neste artigo 6 seções
  1. Termos confusos, registro confuso
  2. Redução de consumo pode ser sinal de doença
  3. Perguntas de histórico
  4. Exame e escores
  5. Decidir o caminho
  6. O que registrar
  7. Perguntas frequentes

"Ele é enjoado" é uma conclusão, não um diagnóstico. Antes de aceitá-la, o clínico precisa separar três causas possíveis: preferência do animal, manejo da alimentação e doença.

Termos confusos, registro confuso

O JAVMA (2017) aponta que os termos relacionados a apetite (anorexia, inapetência, hiporexia, apetite ruim) são usados de forma inconsistente, o que dificulta comparar registros e estudos. Os autores propõem termos padronizados e destacam que o apetite em si não pode ser avaliado objetivamente, por ser um fenômeno psicológico. Por isso, descreva no prontuário o que o paciente de fato fez (recusou, comeu parte, comeu só um tipo de alimento) e por quanto tempo, em vez de usar um rótulo.

Redução de consumo pode ser sinal de doença

Segundo o JAVMA, a redução do consumo pode resultar de várias doenças crônicas (como doença renal crônica, insuficiência cardíaca, câncer ou hepatopatia), de doenças agudas ou de lesões, e pode levar a ingestão insuficiente de calorias, perda de peso e de massa muscular. A seletividade nova, de um paciente que antes comia bem, merece mais atenção do que um padrão antigo e estável.

Perguntas de histórico

  • Desde quando? Mudou de repente ou sempre foi assim?
  • O que ele aceita e o que recusa (textura, sabor, temperatura, local)?
  • Houve troca de alimento, de tigela ou de ambiente?
  • Quanto de petisco e comida da mesa recebe? Eles podem reduzir o apetite pela refeição principal.
  • Há vômito, diarreia, salivação, dor ao mastigar ou perda de peso?

A AAHA também lembra que gatos são sensíveis a textura, odor, sabor e temperatura, e que a aversão pode se formar em torno de náusea.

Exame e escores

Peso, ECC e ECM mostram se a seletividade já tem custo nutricional. A triagem da AAHA inclui esses itens e o exame físico completo. Um paciente com peso estável e escores adequados tem uma situação muito diferente da de um paciente que perde massa.

Decidir o caminho

Preferência com peso estável pede orientação de manejo. Perda de peso, queda de consumo recente ou outros sinais pedem investigação clínica. Quando a recusa persiste, o quadro passa a ser de anorexia, tema da página de anorexia do Capivo. O uso de estimulantes de apetite depende de avaliação do veterinário e da bula do produto.

O que registrar

Descrição do comportamento alimentar, duração, alimentos aceitos e recusados, peso, ECC e ECM, achados do exame, conduta e data de reavaliação.

Perguntas frequentes

Como diferenciar seletividade de anorexia?

Pela duração, pela quantidade de consumo e pelo impacto em peso e escores. O JAVMA propõe termos padronizados, e o prontuário deve descrever o comportamento observado.

Seletividade pode ser sinal de doença?

Sim. O JAVMA descreve redução de consumo associada a doenças crônicas e agudas.

Petiscos atrapalham o apetite?

Pode ser uma das causas a investigar no histórico. Registre quanto de petisco e comida extra o paciente recebe.

Gatos são mais seletivos?

A AAHA descreve gatos como sensíveis a textura, odor, sabor e temperatura, e sujeitos a aversão alimentar ligada à náusea.

Quando usar estimulante de apetite?

Depende da avaliação clínica e da bula do produto. Não é conduta automática para seletividade.

Fontes

Assuntos: seletividade alimentar, apetite, anorexia, hiporexia, nutrição veterinária, cães, gatos