Você pede, está feito

Troca de ração em cães e gatos: como orientar a transição e registrar a tolerância

Neste artigo 5 seções
  1. Por que a transição deve ser gradual
  2. Cuidado com a aversão alimentar
  3. O que orientar o tutor
  4. O que registrar no prontuário
  5. Quando a troca é por doença
  6. Perguntas frequentes

Uma troca de alimento mal conduzida pode gerar desconforto digestivo e recusa. O trabalho do clínico é orientar uma transição gradual e deixar registrado o que foi combinado e como o paciente respondeu.

Por que a transição deve ser gradual

O material da AAHA para tutores diz que uma troca brusca pode causar desconforto digestivo e aversão ao alimento, principalmente em gatos. A orientação é aumentar a proporção do alimento novo conforme a aceitação do paciente.

O mesmo material sugere que gatos podem precisar de um período bem mais longo que cães. Gatos acostumados a uma textura ou tipo de alimento (úmido, seco, semiúmido) podem recusar outro, e também reagem a odor, sabor e temperatura. Como o prazo varia, trate os números de qualquer material como ponto de partida e não como regra.

Cuidado com a aversão alimentar

Segundo a AAHA, gatos com náusea podem desenvolver aversão aprendida ao alimento oferecido antes de um episódio de náusea ou vômito. Por isso, a AAHA recomenda evitar apresentar o alimento desejado a longo prazo a um gato nauseado. Se o paciente estiver doente, defina se a troca deve esperar.

O que orientar o tutor

  • Misturar o alimento novo ao antigo, aumentando a proporção conforme a aceitação.
  • Manter a mesma medida de energia total, e não só de volume, ao longo da transição.
  • Observar fezes, apetite e vômito, e retornar ao passo anterior se houver intolerância, conforme avaliação do clínico.
  • Não oferecer petiscos novos ao mesmo tempo, para não confundir a causa de eventual intolerância.

O material da AAHA cita ainda que gatos devem ingerir calorias adequadas todos os dias, então a transição não deve levar o gato a ficar sem comer.

O que registrar no prontuário

Anote o alimento anterior e o novo (marca, linha e apresentação), o motivo da troca, o cronograma combinado, as observações do tutor sobre fezes, vômito, apetite e energia, e a data de reavaliação. Registre também peso e ECC antes e depois, pois uma troca pode alterar a ingestão calórica sem que ninguém perceba, já que a densidade energética muda entre produtos.

Quando a troca é por doença

Quando a troca ocorre por causa de uma doença, a condução depende do diagnóstico e do alimento indicado. Nesse caso, a bula ou orientação do produto e o julgamento do veterinário prevalecem sobre qualquer roteiro geral.

Perguntas frequentes

Quanto tempo deve durar a transição?

Depende do paciente. O material da AAHA sugere um período mais curto para cães e bem mais longo para gatos, mas o ritmo deve seguir a aceitação e a tolerância.

Por que gatos recusam o alimento novo com mais frequência?

Segundo a AAHA, gatos são sensíveis à forma física, ao odor, ao sabor, à textura e à temperatura do alimento.

O que fazer se aparecer diarreia ou vômito durante a troca?

Reavalie o paciente. A decisão de voltar um passo, pausar ou investigar depende do quadro clínico e cabe ao veterinário.

Posso trocar o alimento de um gato que está nauseado?

A AAHA recomenda evitar oferecer o alimento desejado a longo prazo a um gato com náusea, para não criar aversão.

Vale registrar a troca mesmo quando tudo corre bem?

Sim. O registro mostra o que foi feito e permite comparar peso, ECC e fezes depois da mudança.

Fontes

Assuntos: troca de ração, transição alimentar, tolerância alimentar, nutrição veterinária, cães, gatos